O tempo, inexorável verdugo, me passa diante dos olhos em velocidade astronômica enquanto vivo grandes e pequenas coisas de forma quase inerte, como em uma câmara de suspensão, praticamente impassível ante o avanço cronológico da vida. No escorrer desse tempo que não perdoa, também crio, e faço surgir novos sentimentos, cada qual único, que sei também não passarão… Comigo sempre foi assim: me iludo a pensar que consegui esquecer sentimentos, quando na verdade apenas os mascarei – e os sufoquei – dentro de mim.
Ela foi, ou é, um sopro de vida que me invadiu subitamente, virtualmente em meios modernos que por vezes nos fazem alienados, por vezes mais vivos do que nunca. Ela me deu vários motivos para amar quando eu já não cria mais em tal subjetiva coisa que premia afortunados aleatórios. Ela foi a re-significação de mim ante minhas frustrações e medos, ante as correntes que me prendiam em um eu vazio de esperança. Ela foi minha amiga, meu raio de luz em trevas que insistem em me tomar dia a dia, noite a noite.
Ela diz que fui um presente em sua vida, que a salvei de inúmeras maneiras, que a fiz encontrar e acreditar em seus talentos. Eu não me vejo assim, pois o abençoado fui eu em ter desfrutado – ainda que virtualmente – da sua amizade e mais, do seu amor puro e verdadeiro.
Perdoa-me por não ter permitido que toda a tua bondade, carinho e poesia vencessem meu maior verdugo, o medo da felicidade. Ninguém mais poderá vencê-lo a não ser eu mesmo. Mesmo todo o teu amor não pode me dar a vitória que eu preciso, porque o que eu preciso para ter essa vitória não pode vir de fora para dentro, tem que brotar nas profundezas de meu coração, nos recônditos da minha alma. Teu amor foi, e sempre será, um prêmio da vida para me instigar a lutar e vencer minhas debilidades, ainda que jamais vivamos o que tanto sonhamos.
Quem sabe o que o tempo cronológico poderá nos reservar. Se viver o dia a dia é o que nos resta, um dia de cada vez como ensinou o Mestre, ainda posso ter um fio de esperança de que tabus venham abaixo, que medos acabem, que distâncias sejam vencidas e que as verdades mais íntimas prevaleçam. Você nunca deixará de ser minha poesia e minha poetisa.
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*Saudades de te dar palavras que percorriam teu corpo, tuas veias, teu sentimento em tua alma, como se fossem o toque de minhas mãos…
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Um ano e cinco dias depois do meu último post, não ao som, mas à lembrança de uma de minhas músicas preferidas: With or without you.




Saudade é solidão acompanhada,

Tal qual um devaneio, uma miragem para um sedento no deserto, foi te ver sentada à beira da cama me aguardando. Teu olhar era profundo, marcante, um misto de fera à espreita, voraz, esfomeada, faminta por mim, com uma docilidade que se traduzia na forma que os lábios tomavam. Mordiscava-se e sorria, marota, me olhava.

“Enluarada” expressa a mulher que mesmo em busca de igualdade, não abre mão do romantismo, do amor com total entrega e reciprocidade. Iluminada por sonhos deixa aflorar por meio de palavras o que pensa ser o desejo contido em cada alma feminina. Acredita que tem tudo o que quer, mesmo não possuindo.