Enluarada

Publicado: 30 de setembro de 2009 por elaenluarada em Romantico & Sensual
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enluarada 2O céu: escuro. Ouço o gotejar crescente açoitando o telhado. Mergulhada em sonhos excluo a presença da distância. O perfume confortável da chuva se mistura com o aroma da chegada que me invade, me delira, inebria. Guia-me com seu olhar, busque-me com seus lábios. A noite agora está enluarada. A pele clara ilumina qual lua, o riso tímido me toma qual maré mudando meu curso, inundando meu íntimo. Veludo, toca-me com seus longos dedos, como se toca uma melodia, acordes afinados ao som do coração.

Em seu olhar qual mar azul, prendo-me, afogo-me, sem incomodar-me. Jogo-me, afundo envolta nesse gosto, presa nesse vício, grata, feliz, iluminada. Liberta da escuridão angustiante. Beba-me qual água doce, desliza para dentro de mim. Reflete-me eu seu olhar, espelho vítreo distorcido pelo amor, pela doce dor. Leva de mim tudo o que , dar- te-ei  incondicionalmente. Meu luar, meu norte, guia no amor, prazer que aquece,  acalenta docemente, lentamente, abrangente. Qual anjo envolve-me em suas asas e meu ser reconhece em silêncio quem me possui completa. Sou seu porto, seu lar, seu destino. Meu corpo é seu leito, meu desejo o seu caminho. És meu mar o ar que respiro, a verdade absoluta, meu início e meu fim. Ronda-me, percorra-me, domina-me, ama-me. E quando a chuva levar seu cheiro, meu luar, meu mar, quando eu despertar e sua clara luz deixar minha pele, e perdida estiver na escura névoa da noite, levarás de mim a melhor parte, porque de mim tens tudo, meu pulsar, meu sonhar, desejar… Ao enluarar outras paisagens saberás que meu amor te chama, forte, intenso, completo, guardado dentro de mim na forma da esperança de que outra noite seja feita de seu luar.

Enluarada


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Enluarada“Enluarada” expressa a mulher que mesmo em busca de igualdade, não abre mão do romantismo, do amor com total entrega e reciprocidade. Iluminada por sonhos deixa aflorar por meio de palavras o que pensa ser o desejo contido em cada alma feminina. Acredita que tem tudo o que quer, mesmo não possuindo.

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  • Assim se define a minha primeira colaboradora neste blog, Srta. Enluarada. Seja bem-vinda e que nossa parceria criativa possa ser longa e prazerosa para todos.

TLX

uma manhã de verão

Toda vez que eu acordo sou iluminado mais pelo olhar radiante dela do que pelos sutis raios do sol que insistem em aquecer nossa cama no princípio da manhã. Sorridente, é bela mesmo sem os artifícios da maquiagem e sem os cuidados que tornam seus cabelos um espetáculo à parte. Naquele momento, um pouco mais curtos do que me apraz, caiam-lhe pelos ombros, negros como um corcel. Só o toque suave deles sobre meu rosto – quando deitada em meu peito, me beija – me faz quase gozar, tamanha é a sensação agradável do seu beijo aliado àqueles múltiplos toques simultâneos em minha face. Seu miúdo mas bem distribuído corpo cabe sobre o meu como uma pequena delícia saborosa cabe na palma da mão. E me satisfaz muito o doce que flui da sua intimidade e o que de seus poros goteja em minha boca, como uma vertente que brota da paixão que se consuma, enquanto lhe abocanho alternadamente os seios com um vigor gentil.

Sim, ela me faz gemer agora. E compete com meus gemidos, mas de forma suave, em sedutora voz aveludada. Seu ritmo alterna entre o lento que se delicía e o veloz que busca o êxtase, e essas alternâncias me torturam docemente pois quero vê-la alcançá-lo antes que eu a inunde com uma vertente incontrolável.

Suporto tamanha pressão ate que a vejo com um sorriso brotando sorrateiramente entre as bochechas – que faz com que a maçãs do rosto se tornem proeminentes e destaquem ainda mais a eletricidade em seus olhos – então libero um gozo forte em urros ascendentes, que faz com que ela, ao som que lhe invade os ouvidos e diante do tremor ardente que lhe atinge, goze também aos gritos mais lindos que um homem pode desejar ouvir, aqueles que não deixam dúvidas que seu amante lhe deu um momento tão precioso quanto o radiante sol que agora inflige um calor insuportavelmente delicioso em nossos corpos. Meu prêmio, muito além do gozo, é vê-la com aquele sorriso terno que persiste até que – após encaixá-la suavemente em meu corpo – envolta em meus braços, adormeça.

TLX

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Para Mônica Saraiva, que com doces palavras, um blog maravilhoso e a linda foto em seu perfil no Twitter- com um sorriso radiante – me inspirou hoje a um texto longe da melancolia habitual. Será o fim da minha noite escura nas letras?

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Ao som da banda Jay Vaquer, na versão inspiradissima da música Monte Castelo, da Legião Urbana.

*Esse texto é meramente ficcional e fruto de um momento de delírio perpetuado nestas letras.

O preço

Publicado: 23 de setembro de 2009 por tommyleexando em Uncategorized
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Estou doente e cansado

da futilidade das pessoas

das paixões ou do que julgamos amor

Meu coração sangra, mas eu não sinto mais

É só o torpor da morte anunciada

que espreita a sua hora de chegar

Senti teu egoismo cortando o meu pescoço

e isso não é um sentimento novo,

é só a constância de meus enganos

na efemeridade dos teus traços

E morrí mais um pouco, uma vez mais

Mas por quanto tempo conseguirei viver

antes de minha luz apagar-se de vez?

Talvez aprendamos com a dor,

quem a causa e quem a sente

Mas acho que nunca vou entender o porquê,

pelo amor ou pela solidão,

o preço a pagar é tão alto…

É sempre tão alto.

05/11/1996

*

23/09/2009

Ao revisar o velho caderno de textos, percebo mais uma vez como há sentimentos pertinentes e recorrentes ao longo da minha história, que me fazem pensar no que mais vale a pena nesta vida: amar ou ser amado? Os dois, simultâneamente, parece-me algo cada vez mais inatingível a medida que envelheço, enquanto sou alvo de um amor para mim incompreensível. Não sou digno do teu amor, ainda assim tu me amas. Talvez seja essa a melhor face de Deus que eu possa encontrar nesta vida. Contudo, permaneço indigno.

TLX

Lições de Dança

Publicado: 22 de setembro de 2009 por tommyleexando em Uncategorized
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Sobre meus sentimentos abalados por recentes eventos eu concluo que há coisas na vida que são regulares, ocorrem de tempos em tempos.

Uma velha teoria da história chamada de Pêndulo, uma lição gnóstica chamada Recorrência, um conceito bíblico de que “a música toca até que você aprenda a dançar”, como tocava para os teimosos judeus que insistiam em adorar outros deuses em vez de Yaveh – eram então escravizados por outros povos, sofriam muito e então, após um arrependimento e clamor coletivo, eram de alguma forma libertos por um Moisés ou outro na mesma chamada – e algum tempo depois fariam todos os mesmos erros novamente.

Eu insisto em errar sempre, voluntariamente ou não, os passos da minha dança. A música se repete mais uma vez. Até quando meus pés aguentarão as lições desta dança complexa que é o amor?

“É solitário longe de você

Mesmo quando você está do meu lado

É só por isso que eu espero por você, segure minha mão

Porque eu imploro como uma criança pelo seu doce?

Porque eu vou atrás de você como eu vou eu te amo

Em qualquer lugar que você estiver eu juro

Você será meu anjo”

Pego mais uma vez nas armadilhas da vida, não fui poupado nem em meu auto-exílio. Minha fuga da afetividade em busca do reequilibrio das demais áreas do cotidiano, de uma nova rota que me trouxesse uma satisfação até então desconhecida, foi suspensa. Fui resgatado? Ou estou sendo caçado pelo meu maior temor, o medo de encontrar algo pelo qual daria a minha vida?

Novamente estou diante do singular, daquilo que não é obvio ainda que desejado. Confuso, sim. Libertador, talvez. Quem sabe um dia eu entenda o sacrifício do Cristo na Cruz do Calvário, que se entregou à morte por amor daqueles a quem amava, simplesmente porque Ele amava.

Até lá, eu realmente quero conhecer o amor que é correspondido pelo objeto do meu desejo, de forma perene. Não de forma transitória, essa eu já conheço e carrego a experiência como uma cruz. E me entristece fazer que aquela que hoje ousa me amar – de uma forma como eu jamais compreenderei, eu acho – divida o peso desta cruz tal como um *Simão Cirineu. Me perdoa, tu que me amas.

TLX

O Espelho e o Sorriso

Publicado: 21 de setembro de 2009 por tommyleexando em Uncategorized
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Esta noite eu tive medo de olhar-me no espelho

E ver estampada no meu rosto a tristeza que eu só sentia

Tive medo da certeza de não ver um sorriso,

Sequer aquele falso sorriso que talvez você tenha visto um dia destes,

Sem perceber que ele é só uma máscara

Para minha dor se manter escondida aos olhos do mundo

E por falar em olhos,

Não lembro mais como são os teus

…nem mesmo os meus

Faz tanto tempo que não tenho coragem de encará-los

nem para dizer, com falsa certeza, que tudo vai passar

Porque mesmo que diga, na verdade não me ouvirei

Mesmo que eu grite, não acreditarei

Porque a fome da alma é tanta que já não tenho mais forças

Nem para estender as mãos

E, mesmo que eu tivesse,

Seria apenas para sentir de novo

O amor escapar por entre meus dedos…

03/11/1996 – Uma hora escura, vivida no mais tenebroso silêncio, que só era quebrado pelos terríveis gritos da alma.

TLX

Tommy Lee Xando

Publicado: 18 de setembro de 2009 por tommyleexando em Uncategorized
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Alter ego blogueiro de um cara que está aprendendo a ser mais light ao destilar seus medos, fracassos, expectativas, frustrações e indignações através da escrita. Aqui, a sua opinião e a dos outros é absolutamente irrelevante e incapaz de impedir a libertação dos pensamentos! O que você vai pensar disso e do que lerá aqui não me importa mais, a não ser que te inspire a se libertar também. Se não… Você conhece meu nome.

03/05/1999

Ando me sentindo estranho

Estar sem você é como uma noite sem luz

Pensar que não sou eu que teu corpo seduz

É como um açoite

Que faz cortes profundos

E no coração, um furo

Tão grande como a fome

De um amor quase perfeito

E eu só, em meu leito

Estou pensando em ti

E enquanto teu amor é de outro

Estou confuso e solto

Como um peixe sem rio

Um rei sem trono

Um amante sozinho

Estou com saudade do teu carinho

Ando me sentindo estranho

Com saudade do teu carinho

*

Há dez anos escrevi esse poema chamado “Saudade”, pouco tempo depois de um doloroso rompimento. Sonhos e projetos haviam subitamente ruído diante de mim. Perdi o rumo por dois longos anos até que finalmente acertei um novo. Ou fui acertado por ele? Não sei.O tempo as vezes cura o passado, mas também embaça a visão do presente. E fortes referências podem se tornar burras convicções. Maldita “memória seletiva”…

*